A proposta de reforma e o direito de greve

Artigos  13 de junho


Aos irmãos e irmãs em Cristo da Diocese de Vacaria, saudação e bênção!

Diante do momento de crise que vive a nossa nação, tempo no qual se encaminham reformas importantes para o nosso futuro, porém sem a devida participação popular, participação que deveria ser garantida principalmente aos que serão mais negativamente atingidos, os mais pobres, entendi que seria meu dever de pastor lembrar o que diz a Doutrina Social da Igreja sobre o direito de greve.

No atual cenário, só vemos crescer a manifestação de quem tem poder econômico para comprar inclusive a opinião dos grandes meios de comunicação social, cujos âncoras de seus telejornais, distribuem diariamente pílulas de meias verdades induzindo os mais pobres a aceitarem a perda dos próprios direitos adquiridos ao longo da história com muita luta e sacrifício. As perguntas que ora se impõem são: “Quem defenderá a causa dos pobres? Não seria a greve o único recurso que lhes resta?”

Sei que não é meu papel de pastor substituir a consciência dos fiéis, e sim ajuda-los nos processos de discernimento como tento fazer nestas linhas. Mas integra igualmente a minha missão o dever de não me omitir diante de questões tão relevantes.

Segue literalmente o que consta no parágrafo 304, do Compêndio da Doutrina Social da Igreja sobre o direito de greve:

“A doutrina social reconhece a legitimidade da greve “quando se apresenta como recurso inevitável, e mesmo necessário, em vista de um benefício proporcionado”, depois de se terem revelado ineficazes todos os outros recursos para a composição dos conflitos. A greve, uma das conquistas mais penosas do associacionismo sindical pode ser definida como a recusa coletiva e concertada, por parte dos trabalhadores, de prestar o seu trabalho, com o objetivo de obter, por meio da pressão assim exercida sobre os empregadores, sobre o Estado e sobre a opinião pública, melhores condições de trabalho e da situação social. Também a greve, conquanto se perfile “como ... uma espécie de ultimato”, deve ser sempre um método pacífico de reivindicação e de luta pelos próprios direitos; torna-se moralmente inaceitável quando é acompanhada de violências ou ainda quando se lhe atribuem objetivos não diretamente ligados às condições de trabalho ou contrários ao bem comum”.

Lembrando ainda o que nós bispos da CNBB afirmamos na última assembleia nacional, em maio passado, que “nenhuma reforma será eticamente aceitável se lesar os mais pobres”, peço que rezemos pela nossa amada nação, e que Nossa Senhora Aparecida, a Mariama dos pobres, interceda pela causa dos mais desvalidos!

-
-
Vacaria, 13 de junho de 2019.


Bispo Diocesano

 
Faça o Download em PDF

FACEBOOK

Outras notícias