Com elementos próprios da heráldica, o brasão da Diocese de Vacaria carrega símbolos que indicam os ideais, a essência e os valores, além de marcas de sua identidade que norteiam o trabalho desta Igreja particular. Criado no ano de 2020, é de autoria dos seminaristas Edimar Scopel e Renan Paloschi Zanandréa, responsáveis pela Pascom diocesana. O lançamento oficial se deu durante a Assembleia Diocesana de Pastoral, dias 25 e 26 de novembro de 2020.

Descrição heráldica

Insígnias: Mitra dourada, com centro em gules (vermelho) e forrada na mesma cor, além de ostentar três cruzes gregas em ouro. Ínfulas em ouro com uma cruz grega nas pontas e verso gules. Báculo e Cruz em ouro. Um listel com o nome da Diocese e a data de sua elevação.

Escudo: quadripartido com parte I em fundo em gules com cristograma; II e IV em fundo prata, sendo um com araucária e outro com um ramo de oliveira, respectivamente; e III em fundo azure (azul), com monograma mariano.

Simbologia

O escudo é dividido em quatro partes, que surgem a partir do traço de duas retas paralelas com a cruz e o báculo que estão presentes, obrigatoriamente, em brasões para dioceses, formando assim a cruz de Santo André que gera um escudo no estilo franchado. Ainda temos, finalizando o conjunto de símbolos obrigatórios, a mitra, que lembra, com todo o conjunto, o múnus do bispo, sucessor dos apóstolos e pastor da Diocese. O báculo é inspirado no que originalmente foi usado por Dom Frei Cândido Maria Bampi, OFMCap, Bispo Prelado de Vacaria (1936-1957) e hoje pertence à Diocese.

Nas quatro partes que compõem o escudo do brasão, temos, no chefe, o monograma de Cristo ou cristograma, que contém as duas primeiras letras (XP) da palavra grega “ΧΡΙΣΤΟΣ”, que significa Cristo, que é o centro de toda a fé cristã. O cristograma ainda carrega as letras gregas alfa (A) e ômega (Ω), respectivamente primeira e última do alfabeto grego. Elas indicam que o Senhor é o primeiro e o último, o princípio e o fim (Ap 1,8.11;21,6-7;22,12-13). Exatamente por isso fica em posição de destaque, na posição mais acima do escudo e número um se considerarmos as posições da heráldica clássica. O cristograma está sob um fundo gules, que também carrega seu simbolismo, como veremos na sequência. Logo abaixo ao cristograma, agora na parte três do escudo, no contra chefe ou ponta, temos o monograma mariano, formado pelo entrelaçamento das letras “A” e “M” que lembram a expressão “Ave Maria”, da Anunciação do Anjo Gabriel à Virgem Maria (Lc 1,26-38), Mãe de Deus e da Igreja. Também aqui destaque para a cor de fundo, cujo sentido veremos a seguir.

Fazem parte do escudo, ainda, duas imagens que retratam particularidades da Diocese de Vacaria. Na parte II do escuto, flanco destro, temos a imagem da araucaria angustifolia, popularmente chamada de araucária ou pinheiro, planta característica da região dos Campos de Cima da Serra, à qual pertence Vacaria. A araucária também faz parte do brasão do município de Vacaria, no qual está a sede da Diocese.

Na parte IV do escudo, flanco sinistro, temos um ramo de Oliveira, que nos remete à Padroeira da Diocese, Nossa Senhora da Oliveira. No ramo de Oliveira temos doze folhas que, além da representação bíblica das doze tribos de Israel e dos doze apóstolos, ainda nos lembra a totalidade das comunidades da Diocese de Vacaria. Destaque para a frequência do termo “doze” na Sagrada Escritura: aparece mais de duzentas e vinte vezes, seja referindo-se às tribos, aos irmãos, ao tamanho de algum objeto, o tempo de duração etc. A Oliveira aparece ainda diversas vezes na Sagrada Escritura: Gn 8,11; Dt 8,6-10; Jz 9,8-9; Sl 128,3; Zc 4; Os 14,7; Lc 22,39-47; e Rm 11,13-24, por exemplo. Destaque que o óleo utilizado nos Sacramentos do Batismo, da Unção dos Enfermos, do Crisma e da Ordem (presbiteral e episcopal) são fabricados a partir da azeitona, produzida pela Oliveira. O ramo de Oliveira presente no escudo ainda possui três frutos, que nos remetem à Santíssima Trindade.

Completando o brasão, na parte inferior, temos um listel com o nome da Diocese à qual pertence este brasão, “Diocese de Vacaria”, e a data em que foi elevada a Diocese, “18 de janeiro de 1957”.

O jogo de cores também contém seu significado. Na heráldica clássica, o ouro nos lembra as pedras preciosas, o Sol. Significa, também, “riqueza, força, fé, pureza, constância. Os que levam o dourado em seus escudos, estão obrigados a fazer o bem aos pobres e a defender seus príncipes, ‘lutando por eles até derramar a última gota de sangue’” (PEREYRA, 1947, p. 61, tradução nossa). Nos lembra aqui, também, a realeza de Cristo, da casa de Davi (cf. Mt 1,1-17;9,27;15,22;20,30-31;21,9.15; Mc 10,47-48;12,35; Lc 1,27.32;18,38-39;20,41, por exemplo), bem como indica a excelência da caridade.

A prata, tradicionalmente, “significa inocência, brandura, virgindade. Os que trazem prata em suas armas estão obrigados a defender as donzelas e amparar os órfãos” (PEREYRA, 1947, p. 61, trad. nossa). Esta cor nos remete à pureza e santidade de Nossa Senhora e aponta o chamado à santidade de todos os fiéis católicos, além de lembrar o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1,29.36), sem mancha ou defeito (1Pd 1,19).

O azure (azul), por sua vez, simboliza “realeza, majestade, formosura, serenidade. Os que trazem azure em suas armas estão obrigados a socorrer os fiéis servidores dos príncipes ‘que se encontram sem remuneração em seus serviços’” (PEREYRA, 1947, p. 62, trad. nossa). Para nós, o azul também lembra a cor que é comumente atribuída a Nossa Senhora. Isso justifica o fato de ser usado como fundo do monograma mariano. É uma cor que lembra a justiça, a piedade e a lealdade.

O gules (vermelho), representa, na heráldica, o rubi, o fogo, o cedro. Entre as qualidades, indica o valor, o atrevimento, a intrepidez. Todos os “que têm esta cor em seus brasões estão obrigados, principalmente, a socorrer os injustamente oprimidos” (PEREYRA, 1947, p. 61). Na tradição cristã também lembra o fogo do Espírito Santo, bem como o sangue dos mártires e, com isso, o sangue do mártir dos mártires, Nosso Senhor Jesus Cristo, o Cordeiro imolado por nossos pecados (Jo 1,29.36; Ap 5,6). O gules também lembra o amor, o ardor missionário e o serviço ao próximo.

Na heráldica clássica, o sínople (verde) nos lembra a esperança, a abundância e a liberdade. Os que carregam essa cor em seu brasão, “estão obrigados a socorrer os lavradores em geral e aos órfãos e pobres oprimidos” (PEREYRA, 1947, p. 62). Na Diocese também lembra as verdes matas, tão características de todos os municípios que compõem esta Igreja particular.

Referências

PEREYRA, Alejandro de A. y de. Heráldica. 2 ed. Barcelona: Biblioteca de Iniciación Cultural, 1947. (Colección Labor).

 

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